Olá, torcedor. Tem alguém aí? Dê um sinal, se puder me ouvir. Soube que você está se sentindo deprimido, preocupado. Relaxe.
Sim, é verdade que nos céus azuis, os albatrozes sobrevoam, parados no ar. Céus azuis da dor que trazem ecos de um tempo desconhecido, rastejando assustadoramente pelos gramados. Ecos de um labirinto profundo, em busca da direção da luz.
Nossos heróis dos gramados são atordoados por fantasmas. O soar do sino da segunda divisão começou. Antes, a grama era mais verde, as luzes eram mais brilhantes e o gosto das vitórias era constante.
Vitória que martela as mentes dos jogadores, como quem diz, ao mesmo tempo “Preciso da vitória”, e “Você sabe que você simplesmente não pode vencer”. São as advertências aparecendo aos jogadores, gritando por todos os lados.
O ano está ficando mais curto, o campeonato também, e o Cruzeiro parece não ter mais tempo para reação. Ano que se foi com planos que não deram em nada ou em, no máximo, meia página de linhas rabiscadas.
Que não podem se transformar em uma queda em espiral para o buraco da Série B, que carrega um cheiro de uma enorme angústia.
Mas mesmo esses rostos cansados ainda possuem a simpatia do torcedor. Eles já viram essa esperança antes. Uma luta entre o azul que todos uma vez conheceram. Hoje, um menino ganhador e perdedor. Um mineiro da verdade e da ilusão, surpreendido pelo fogo cruzado.
O torcedor deseja que esses bons tempos possam ser resgatados pela equipe. Sim, ela poderia trazer isso de volta. Os dias mais felizes de nossas vidas. Nós e eles. Afinal, somos todos homens comuns.
Respire, Cruzeiro. Respire o ar. Não tenha medo de se preocupar. Procure ao redor e encontres seu próprio chão. Tire o lunático do gramado.
Que você, Cruzeiro, volte a brilhar como o sol e siga em busca da glória. Que você, Cruzeiro, deixe de ser alvo de risos distantes e volte a ser a lenda, o diamante louco e brilhe! E que grite bem alto: “Adeus mundo cruel do rebaixamento. Estou lhe deixando hoje. Adeus.”
Para sempre e sempre.
* Com citações e reflexões inspiradas pelas obras imortais do Pink Floyd.
** Texto dedicado aos mestres Bruno Rossano, Gabriel Souza Cunha e Beto Baeta, e a Júlia Calácio, jovem talentosa que faz muito “experiente” se enforcar na corda do caranguejo.
Cheers!
Fabinho Cunha